Aconteceu de novo, o desanimo acompanhado do
descaso e humilhação. Entretanto, dessa vez aconteceu em um intervalo curto de
uma crise para a outra, menos de algumas horas. Eu pensava que tinha controle
disso, pensei eu que poderia escolher quando para e deixar de lado, afinal era
legal o fazer. Mas não, não posso mais controlar a vontade fulminante de
cortar, cortar e cortar. Virou meu vicio.
Minha corrida agora não é mais contra o
tempo, nem tão pouco com o futuro, minha corrida é contra um adversário que tem
poder, muito poder, é ágil e não posso controla-lo. Minha corrida é contra mim
mesma, contra a vontade de me autodestruir, e posso dizer que numa tive um
oponente tão forte como esse.
Mesmo assim, consegui controlar os fortes
impulsos, consegui respirar, chorar, me machucar de formas não tão marcantes,
tudo para controlar, para assumir o controle, porem não esta a ajudar. Minha
vontade é de fugir de qualquer lugar que tenha população, me excluir da
sociedade e ficar sozinha, com as minhas coisas onde tenho eu e apenas eu.
Nunca estive tão preocupada em aprender
sobre tudo como eu estou agora, preciso fugir, e para que isso aconteça preciso
do máximo de conhecimento possível, afinal, estabilidade é cara. Meu relógio
estudantil está chegando ao seu ultimo badalar e eu nunca me senti tão
empolgada e ansiosa para isso. Mas ao mesmo tempo em que estou ansiosa, me
sinto apreensiva. Eu sei o que eu quero um lugar isolado da sociedade, uma
cabana a beira de um lago em minas? Uma casa de praia em Paraty? Ou até mesmo
um bairro não muito populoso em SC? Ou uma chácara em algum lugar por ai?
Sei
que minhas expectativas estão ai, mas não sei como chegar até lá.
Merda o que eu faço?
Poderia pedir ajuda á alguém, mas quero
conquistar os primeiros passos com os meus pés. Prefiro sugar toda a minha dor
a compartilhá-la com alguém que jogará na minha cara depois, acho que esse é um
dos motivos de eu guardar tudo o que acontece pra mim. Eu queria poder
compartilhar minha vida com os que estão a minha volta, mas não posso, tenho
que cuidar de minha imagem e de meu ego antes de pensar em sair contando, eles
não precisam saber de tudo.
Oh não
precisam mesmo.
Minha vida virou uma montanha russa que
agora esta aprisionada dentro de meu peito, queria poder tirar de dentro de mim
para aliviar pelo menos um pouco dessa carga, mas eu não vou. Fico triste toda
a vez que minhas colegas chegam falando de sua forte relação com sua família, e
que contam de tudo para a mãe e a mesma sempre ri e está presente a cada passo.
Eu não posso ter isso, por vários motivos. Religião, preconceito, egocentrismo,
individualismo. E mais muitos outros que eu teria que parar para fazer uma
lista.
Acho que meu senso de solidão veio a partir
do momento que eu soube que realmente estava sozinha, a carga está toda sobre
meus ombros. Um dos motivos para querer fugir, quero estar em um lugar em que o
julgo não está tão evidente, em que eu possa sentar na minha varanda com alguns
amigos a hora que eu quiser enquanto rio bebendo vinho e cintando historias
verdadeiras da vida, sem me preocupar com o que vão pensar tão menos se vão me
olhar diferente, não quero me sentir mal por eu ser eu.
Busco uma única coisa de parece que todos
estão buscando também, não, não é a felicidade. É liberdade, liberdade para
pensar alto quando eu quiser liberdade para usar o que eu quiser liberdade para
rir e fazer o que eu quiser e o mais importante: liberdade para ser quem eu
quiser ser, ser uma jovem escritora tímida, ou ser uma mulher ousada que sai as
noites de verão com as amigas, ou uma garota determinada que corre atrás de
tudo o que quiser quando e onde quiser e ser uma jovem feliz, vivendo no fio da
navalha rindo da vida e se divertindo as custas da vida.
Pôr o pé no chão e saber que isso nunca vai
acontecer é decepcionante, tanto ao ponto de meu único escape ser a sensação
real da dor. Irônico não? Para uma garota que sonha tudo isso ter como escape a
dor? É muito irônico mesmo.
Uma garota chamada Bruna.